Presidente comentou investigação da Polícia Federal ao participar da reunião do G-20, na Austrália
Publicação: 17/11/2014 06:00 Atualização: 17/11/2014 07:32
| Dilma afirmou que as investigações na Petrobras podem acabar com a impunidade. A oposição "cinismo" no discurso |
Brasília – Na primeira manifestação pública sobre a nova fase da Operação Lava a Jato, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras podem “mudar o Brasil para sempre”. Para a oposição, a petista se apropria inadequadamente da atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal para se esquivar de suposta responsabilidade, já que a empresa esteve subordinada a ela no governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando comandou o Ministério de Minas e Energia (2003-2005) e a Casa Civil (2005-2010).
“Acho que isso (investigações da Lava a Jato) pode mudar, de fato, o Brasil para sempre. Em que sentido? No sentido de que se vai acabar com a impunidade. Nem todos, aliás, a maioria absoluta dos membros da Petrobras, os funcionários, não é corrupta. Agora, há pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras”, disse a presidente, pouco antes do encerramento da reunião do G-20, na Austrália. De acordo com os investigadores, nove empreiteiras formavam um cartel para faturar contratos bilionários com a Petrobras. Para isso, pagavam propina a agentes públicos. Só com a estatal, elas movimentam R$ 59 bilhões.
O discurso adotado por Dilma é semelhante ao usado na campanha eleitoral, quando ela precisava responder sobre os escândalos no governo petista. Mais uma vez, ela disse que não é o primeiro caso de corrupção na história do país. “Acredito que a grande diferença dessa questão é o fato de ela estar sendo colocada à luz do sol. Por quê? Porque esse não é, eu tenho certeza disso, o primeiro escândalo. Agora, ele é o primeiro escândalo investigado”, afirmou a presidente.
Dilma tentou isolar as empreiteiras dos supostos malfeitos dos executivos. “Não acho que dá para demonizar as empreiteiras. São grandes empresas, e se ‘a’ , ‘b’, ‘c’ ou ‘d’, praticaram malfeitos, atos de corrupção ou de corromper, acho que eles pagarão por isso”, disse. De acordo com o Ministério Público Federal, as empreiteiras investigadas pela Lava a Jato mantêm contratos ativos com a administração pública federal que somam R$ 4,2 bilhões.
A presidente tentou ainda preservar a Petrobras dos estragos causados pelo escândalo. “O que nós temos de condenar são as pessoas”, disse. “Não é um monopólio da Petrobras ter processos de corrupção”, afirmou.
Crítica Para a oposição, a presidente foi cínica ao comentar as investigações. “É de um cinismo sem tamanho. Ela não tomou nenhuma providência em nenhum momento durante tantos anos de desfalque na Petrobras, que foi usada para abastecer políticos da base aliada. Não se viu nenhuma ação dela para combater essa corrupção”, disse o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (SP). De acordo com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na primeira fase da Lava a Jato e um dos delatores do esquema, as empreiteiras pagavam entre 2% e 3% de propina para políticos do PT, PMDB e PP em troca de contratos com a Petrobras.
Rubens Bueno afirma ainda que a presidente tenta capitalizar um trabalho que não foi feito pelo governo. “Quem aprofundou a investigação? O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Justiça. Se dependesse do governo, estaria tudo encoberto”, comentou.
O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que a presidente “não tem autoridade” para “se apropriar das investigações”. “Ela comandou a Petrobras nos anos de governo Lula. Como presidente tinha todos os instrumentos no governo para evitar esse escândalo. Mesmo com a maior boa vontade que o brasileiro pode ter, ele não acredita que a presidente não sabia de nada. Pode ser que ela não soubesse de tudo, mas não dá para acreditar que não sabia de nada”, disse.
PF vê elo entre lobista do PMDB e Transpetro
Anotações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ligam Fernando Soares, o Fernando Baiano, e a subsidiária da estatal
Anotações na agenda do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, revelam ligação entre Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas na estatal, e a Transpetro, subsidiária que atua no setor de navios, segundo investigação da Polícia Federal.
No caderno apreendido pelos agentes federais na casa de Costa, em março, quando a operação foi deflagrada, as anotações em sequência “FB” e “Navios” são interpretadas pelos policiais como Fernando Baiano e subsidiária da estatal, respectivamente. O registro indica também a data da reunião, com quem seria o encontro, assuntos e os valores de propina na Petrobras tratados entre o réu confesso do esquema de corrupção e o suposto operador do PMDB. Fernando Baiano está com a prisão decretada, mas fugiu.
A Polícia Federal suspeita que essa nova frente de investigação possa atingir o presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado, que chegou ao cargo em 2004 por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado está na mira das novas etapas da Lava Jato desde 8 de agosto, quando o delator afirmou em depoimento ter recebido em mãos R$ 500 mil de Machado. O pagamento, ocorrido em 2012, seria referente a uma propina por locação de navios, cuja negociação fora intermediada pela diretoria de Abastecimento da Petrobras, sob o comando de Costa.
Segundo eles, todos os grandes contratos da estatal tinham cobrança de propina de até 3% em um esquema de loteamento de diretorias na estatal pelo PT, PMDB e PP, que abasteceu também o PSDB e o PSB.
Núcleo empresarial
No mesmo item de assuntos a ser tratado no suposto encontro com “FB”, o delator da Lava Jato anotou siglas e nomes de executivos e empresas que se tornaram alvo da fase Juízo Final, a sétima da Operação Lava Jato. A Polícia Federal está convencida de que as iniciais QG são de Queiroz Galvão, uma das empreiteiras sob suspeita da Juízo Final.
O nome entre parêntesis é do executivo Ildefonso Colares, preso na sexta-feira. Os investigadores suspeitam que “R$ 3,0” significa R$ 3 milhões. Há ainda a anotação “Engevix (Gerson)”. Trata-se de Gerson Almada, outro dos 23 detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
Em um dos computadores da empresa Costa Global, aberta em 2012 pelo ex-diretor de Abastecimento, depois que ele saiu da Petrobras, o nome de Fernando Soares, o Baiano, aparece associado a valores. Num deles, o montante é de R$ 2,1 milhões. O registro foi anexada ao despacho do juiz federal Sérgio Moro nos pedidos de prisão da Lava Jato.
Defesa
Por sua assessoria, Sergio Machado declarou “ser mentirosa e absurda a acusação feita contra si por Paulo Roberto Costa”. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, foi enfático. “O sr. Fernando não é lobista, nem operador do PMDB, mas representante no Brasil de duas empresas espanholas.”
Já a Engevix, “por meio de seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”, diz em nota. Queiroz Galvão não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.
No caderno apreendido pelos agentes federais na casa de Costa, em março, quando a operação foi deflagrada, as anotações em sequência “FB” e “Navios” são interpretadas pelos policiais como Fernando Baiano e subsidiária da estatal, respectivamente. O registro indica também a data da reunião, com quem seria o encontro, assuntos e os valores de propina na Petrobras tratados entre o réu confesso do esquema de corrupção e o suposto operador do PMDB. Fernando Baiano está com a prisão decretada, mas fugiu.
A Polícia Federal suspeita que essa nova frente de investigação possa atingir o presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado, que chegou ao cargo em 2004 por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado está na mira das novas etapas da Lava Jato desde 8 de agosto, quando o delator afirmou em depoimento ter recebido em mãos R$ 500 mil de Machado. O pagamento, ocorrido em 2012, seria referente a uma propina por locação de navios, cuja negociação fora intermediada pela diretoria de Abastecimento da Petrobras, sob o comando de Costa.
Segundo eles, todos os grandes contratos da estatal tinham cobrança de propina de até 3% em um esquema de loteamento de diretorias na estatal pelo PT, PMDB e PP, que abasteceu também o PSDB e o PSB.
Núcleo empresarial
No mesmo item de assuntos a ser tratado no suposto encontro com “FB”, o delator da Lava Jato anotou siglas e nomes de executivos e empresas que se tornaram alvo da fase Juízo Final, a sétima da Operação Lava Jato. A Polícia Federal está convencida de que as iniciais QG são de Queiroz Galvão, uma das empreiteiras sob suspeita da Juízo Final.
O nome entre parêntesis é do executivo Ildefonso Colares, preso na sexta-feira. Os investigadores suspeitam que “R$ 3,0” significa R$ 3 milhões. Há ainda a anotação “Engevix (Gerson)”. Trata-se de Gerson Almada, outro dos 23 detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
Em um dos computadores da empresa Costa Global, aberta em 2012 pelo ex-diretor de Abastecimento, depois que ele saiu da Petrobras, o nome de Fernando Soares, o Baiano, aparece associado a valores. Num deles, o montante é de R$ 2,1 milhões. O registro foi anexada ao despacho do juiz federal Sérgio Moro nos pedidos de prisão da Lava Jato.
Defesa
Por sua assessoria, Sergio Machado declarou “ser mentirosa e absurda a acusação feita contra si por Paulo Roberto Costa”. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, foi enfático. “O sr. Fernando não é lobista, nem operador do PMDB, mas representante no Brasil de duas empresas espanholas.”
Já a Engevix, “por meio de seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”, diz em nota. Queiroz Galvão não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário